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Policiais do "frete" de drogas presos semana passada são afastados da PC-MS

Os então agentes da PC-MS (Polícia Civil de MS), Anderson César dos Santos Gomes e Hugo César Benites, nesta segunda-feira, 1º de abril, foram afastados das funções em cargos que detinham na delegacia de Ponta Porã.

Por Jornal Extra MS 01/04/2024 às 14:51:26

Foto: Reprodução internet

Os então agentes da PC-MS (Polícia Civil de MS), Anderson César dos Santos Gomes e Hugo César Benites, nesta segunda-feira, 1º de abril, foram afastados das funções em cargos que detinham na delegacia de Ponta Porã. Os dois são da então noticia dada pelo Enfoque MS, que Gaeco deflagra operação 'Snow' em MS contra tráfico drogas com participação de policiais civis

Os policiais civis são alvos da Operação Snow (veja detalhes abaixo), deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), na última terça-feira (26), após investigação que encontrou envolvimento de agentes da segurança de Mato Grosso do Sul no tráfico de cocaína em larga escala.

A decisão de afastamento, publicada no DOE (Diário Oficial do Estado de hoje – uma semana depois da operação – também ordena o recolhimento das armas e carteiras funcionais dos agentes e demais pertences do patrimônio público destinados aos referidos policiais. E ainda suspende suas senhas e logins de acesso aos bancos de dados da instituição policial”.

O esquema – O tráfico de cocaína, entre Ponta Porã e Campo Grande, droga que era distribuída para o restante do país, contava com esquema sofisticado e bem estruturado. Além dos policiais civis, que levavam droga em viaturas oficiais e até faziam escoltas de caminhões com entorpecente, o grupo contava com empresários e até assassino. É o que aponta a investigação do Gaeco, que contou com o auxílio da Corregedoria da PC-MS e da Polícia Rodoviária Federal.

Operação Snow

A Operação Snow cumpriu 54 mandados judiciais, entre prisões e busca e apreensões, requeridos após investigações que apontam que havia uma rede sofisticada de distribuição, com vários integrantes, inclusive policiais cooptados, para fazer o escoamento de drogas, de Mato Grosso do /sul para outros Estado. “Como regra cocaína, por meio de empresas de transporte, as quais eram utilizadas também para a lavagem de capitais, ocultando a real origem e destinação dos valores obtidos com o narcotráfico”, aponta processo policial.

Para isso, a cocaína era escondida em carga lícita, ou seja, com documentações legais, o que dificultava a fiscalização policial nas rodovias “principalmente quando se tratava de material resfriado/congelado (carnes, aves etc.), já que o baú do caminhão frigorífico viajava lacrado”.

Outra maneira que utilizavam para traficar a droga de Ponta Porã a Campo Grande era o chamado "frete seguro". "(…) policiais civis transportavam a cocaína em viatura oficial caracterizada, já que, como regra, não era parada, muito menos fiscalizada por outras unidades de segurança pública", aponta a investigação.

A quadrilha ainda fazia a transferência da propriedade de caminhões entre empresas usadas pelo grupo e os motoristas, desvinculando-os dos reais proprietários. Com isso, chamavam menos atenção em eventual fiscalização policial, porque, em regra, a liberação é mais rápida quando o motorista consta como dono do veículo.

Durante a investigação, foi possível identificar mais duas toneladas de cocaína da organização criminosa, apreendidas em ações policiais.

Policiais alvos – Em relação aos policiais civis que faziam parte da quadrilha, foram emitidos cinco mandados, dois de prisão preventiva (Anderson e Hugo) e três de busca e apreensão.

Outros alvos – Entre as ordens judiciais, três delas, de prisão e de busca e apreensão, foram cumpridas na mesma família. Foram presos: Douglas de Lima de Oliveira Santander, 35; o pai Natoni Lima de Oliveira; e a mãe de Douglas, a empresária Darli Oliveira Santander. Douglas é réu por matar a tiros Cristian Alcides Lima Ramires, em outubro de 2022.

Ainda, foram presos: Franck Santos de Oliveira, 46, que acabou também autuado em flagrante por porte irregular de arma de fogo de uso permitido; Ademar Almeida Ribas; e Ademilson Cramolish Palombo, o “Alemão”, envolvido no caso do garagista e agiota Carlos Reis de Medeiros de Jesus, 52, o “Alma”, morto e esquartejado em Campo Grande. Ademilson devia alta quantia ao garagista, cujo corpo nunca foi encontrado.

Também estão inclusos na lista: Jucimar Galvan, 45 anos, empresário e também autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo; Adriano Diogo Veríssimo, 32, motorista de caminhão e com passagem por ameaça no âmbito da violência doméstica; Eric do Nascimento Marques; Joesley da Rosa, 35, motorista de caminhão; Márcio André Rocha Faria, administrador também flagrado com arma na operação; Mayk Rodrigo Gama; Rodney Gonçalves Medina, empresário com passagens por tráfico de drogas em São Paulo; e Wellington de Sousa Lima, 27, conhecido como “garganta” e fichado na polícia por furto.

Ainda, outros mandados de prisão foram cumpridos, mas a reportagem não teve acesso aos nomes.

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